sábado, 18 de julho de 2009

Diário de uma viagem

Que lugar é esse,
Onde o matuto queima o cabelo ralo ao sol, fazendo uma leve continência com a cabeça a cada passagem do moço.
Onde o matuto, queima as pontas dos dedos num cigarro interminável.
Senhoras e crianças numa varanda, tomando chimarrão e comendo pipoca, saboreando o passar monótono da vida.

Cada um tem o seu costume,
As suas palavras,
O seu jeito de vestir,
Mesmo que isso, apresente-se estranho aos olhares do viajante.

Onde a cidade inteira em polvorosa, por uma festa tradicional.
Enche o peito de orgulho, ao anunciar na rádio local, o grande acontecimento.
Compra roupas e calçados novos, soltam verdadeiras risadas ao alvorecer, colocam flores e enfeites em cada esquina.
O assunto, a festa, já fora anunciada meses antes, e ainda será assunto nos meses decorrentes.
E o comércio da cidade em grandes cartazes de cores aberrantes, anuncia o ânimo total,
Mesmo que para isso, “assassinem o português”, na suas modestas palavras.

Onde aos se passar por uma rodovia, ao alcance de nossos olhos,
E como se pudesse tocar pelas mãos,
Uma das mais belas paisagens que a natureza criou.
Mas como tudo não é perfeito,
A intervenção do homem, com suas cercas a demarcar o que é de sua propriedade, não podendo assim o mais hábil telespectador resplandecer sob a relva.

Onde montanhas e rios, matos e flores, animais e casebres, entram em sintonia,
Como se fosse um traço perfeito, um corte de roupa sem desalinho, uma caligrafia legível...

Onde um campo retirado da urbanização, resplandece um dos tesouros da humanidade.
O que o homem construiu e o que a natureza preservou, juntos numa grande harmonia,
Sob os olhares atentos, da mulher de estatura mediana e óculos de aros grossos,
Talvez já faça parte do museu, uma peça rara, de alegria e de conhecimento.
Onde passado e presente se fundem numa arquitetura só.
Peça de uso dos índios, que há muito já caiu no esquecimento, com um elevador dos mais modernos.
Escavações remanescentes de séculos anteriores, com a marca de sapato, deixadas no tapete por um visitante desatento.
Animais em total extinção empalhados aos olhares curiosos, com a mosca a incomodar o sono do guarda.
Onde o jardim parece um quadro pintado pela mão do mais belo e comprometido artista da natureza, contrastando com uma latinha de coca cola, jogada pelas mãos de mais um ignorante.

3 comentários:

Viviane Andrade disse...

Olá!
Muito lindos seus textos também - parabéns!
Agradeço, de coração, o comentário deixado lá no meu blog.

Abraços

Amynon disse...

Passei pra te deixar um abraço e desejar um ótimo Final de semana !
A idéia dos textos esta interessante , eu também escrevia muitos mas a maioria se perdeu com o tempo, mas meu estilo sempre foi o das parábolas, só que verdadeiras.Apenas a forma literária eu adotei .
Um ótimo final de semana pra vc !

M.Maria M. Coutinho disse...

Hello! saudade
tripla!

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